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Pai de pet sem filtro: os hábitos que todo homem cria quando se apega a um cachorro

Pai de pet sem filtro: os hábitos que todo homem cria quando se apega a um cachorro

Fernanda Rocha
Fernanda Rocha
· 3 min de leitura

Em resumo

Ele jurou que não queria cachorro. Hoje ele fala com o cão, compra petisco escondido e chora em filme por causa dele. A veterinária lista os hábitos inconfessáveis.

Ele disse “não quero cachorro em casa”. Disse que ia sujar o sofá, que ia cheirar, que ia dar trabalho. Três meses depois, ele já tem uma voz especial para falar com o cão, chama de “meu filho” na frente dos amigos e se recusa a viajar porque “não pode deixar o doguinho”. O pai de pet é um fenômeno silencioso, engraçado e inconfessável que acontece em milhares de lares brasileiros.

A transformação começa na primeira noite

No primeiro dia, ele finge indiferença. “Ah, é da família, não é meu”. Mas na primeira noite, quando o filhote chora, ele é quem levanta. Não porque queria. Porque “alguém tinha que fazer”. Na segunda noite, ele levanta de novo. Na terceira, ele já dorme com uma mão pendurada fora da cama para o cão lamber.

Estudos de vínculo humano-animal mostram que a presença de um cão aumenta os níveis de ocitocina — o hormônio do afeto — em tutores de todas as idades e gêneros. A diferença com os pais de pet é que eles não esperavam por isso. Então quando o vínculo bate, bate forte. E eles não sabem disfarçar.

Os hábitos clássicos do pai de pet

A voz de bebê reservada ao cão. O mesmo homem que fala grosso no trânsito vira uma pessoa completamente diferente quando o cachorro chega perto. “Vem aqui, meu amorzinho” — e ainda nega quando alguém comenta.

Petisco escondido na gaveta. Ele compra petisco “para dar de vez em quando” e some com a metade do pacote em uma semana. Quando a cachorra engorda, a culpa é da ração. Nunca dele.

Regras que ele mesmo quebra. “Não sobe no sofá” virou lei na casa. Até ele chegar cansado do trabalho e deitar no chão para ficar perto do cão. Ou pior: chamar o cão para o sofá “só dessa vez”.

Conversas unilaterais profundas. Ele conta o dia para o cão. Pede opinião sobre futebol. Discute política. O cão nunca responde, mas parece o melhor ouvinte do mundo — porque, de fato, é.

Choro disfarçado em filmes. Bastou aparecer um cachorro triste na TV para os olhos dele lacrimejarem. Ele vai dizer que estava com alergia. Ninguém acredita.

Por que isso importa para a saúde do cão

O apego intenso é fofo, mas pode virar problema. Pais de pet tendem a superproteger: não deixam o cão andar sozinho, dão comida demais, ignoram limites e criam cães ansiosos ou obesos. O amor precisa de estrutura.

Pesquisadores da Universidade de Liverpool, no Reino Unido, observaram que tutores que humanizam excessivamente a relação com o cão relatam mais problemas comportamentais no animal — não porque amam demais, mas porque confundem atenção com permissividade.

Como manter o amor sem perder a regra

Combinação é possível. O pai de pet pode continuar sendo o melhor amigo do cão enquanto respeita horários de alimentação, limites de espaço e comandos de adestramento. O carinho não precisa ser menos intenso; só precisa ser coerente.

Se o cão pulou, o pai não pode rir. Se a mãe disse que não sobe na cama, ele não pode chamar às escondidas. Cães confundem regras inconsistentes e ficam ansiosos. O amor mais seguro é o previsível.


Pai de pet não é fraco. É alguém que foi pego de surpresa por um vínculo que não esperava. O segredo é deixar o amor fluir sem abandonar a liderança. Afinal, o doguinho precisa de um pai — não de um fã descontrolado.

Leia também: Dia dos Pais de pet: 11 cenas que provam que ele jurou não querer cachorro

Fernanda recomenda

Se o pai de pet da sua casa exagera nos petiscos ou deixa o cão subir no sofá às escondidas, combine uma regra clara em vez de criticar. O víncio dele é saudável — só precisa de limites para não virar obesidade ou ciúme problemático.

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Escrito por

Fernanda Rocha

Médica Veterinária & Fundadora

Médica veterinária pela UFMG e tutora de dois catioros impossíveis. Criou o CatioroCurioso em 2021 para provar que ciência e amor pelos doguinhos andam juntos.

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