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Garras longas: o sinal silencioso de dor que 9 em cada 10 tutores ignoram

Garras longas: o sinal silencioso de dor que 9 em cada 10 tutores ignoram

Fernanda Rocha
Fernanda Rocha
· 3 min de leitura

Em resumo

As garras do seu cão fazem barulho no chão quando ele anda? Já estão longas demais — e isso está mudando a postura dele agora.

As garras do seu catioro batem no chão quando ele anda? Se batem, já estão longas demais. E o que parece um descuido estético está, nesse momento, mudando a forma como ele distribui o peso — e acelerando o desgaste nas articulações de um jeito que você só vai perceber quando já for tarde.

O que garras longas fazem com o corpo do seu cão

Quando a garra toca o chão antes da almofada plantar, o cão é forçado a recuar a pata para evitar o desconforto. Esse ajuste muda o ângulo do pulso, que muda o ângulo do cotovelo, que muda a posição do ombro — e o corpo inteiro começa a compensar.

Estudos de biomecânica veterinária publicados pelo Royal Veterinary College (Reino Unido) documentam que garras que ultrapassam a almofada plantar alteram o ângulo de apoio das patas — forçando compensações posturais que sobrecarregam joelhos, quadris e coluna de forma progressiva. Em cães que já têm predisposição a displasia ou artrite, garras longas podem ser o fator que transforma “risco latente” em dor real.

O pior: cães raramente demonstram dor de forma óbvia. O doguinho não vai mancar dramaticamente — vai se mover um pouco menos, vai evitar superfícies duras, vai levantar com mais esforço. E o tutor vai chamar isso de “velhice”.

Os sinais que a maioria ignora

Barulho de clique no chão — se você ouve as garras quando o catioro anda pela cerâmica, já passaram do comprimento ideal.

Lamber ou morder as próprias patas — sinal de desconforto localizado. Garras longas pressionam a almofada plantar de dentro para fora.

Escorregar em superfícies lisas — garras longas impedem o contato correto da almofada com o chão. O cão perde tração e fica instável — especialmente os idosos e os de raças menores.

Relutância em caminhar em certas superfícies — o cão que para na beira do parquet e hesita pode estar sentindo desconforto a cada passo, não sendo “teimoso”.

Patas em leque — dedos que se abrem para os lados em vez de ficarem juntos. Sinal de que a garra está forçando a pata a se ajustar estruturalmente.

Por que “aparar um pouquinho” de vez em quando não funciona

O quick — o tecido vivo dentro da garra com vasos e nervos — cresce junto com a garra quando ela é negligenciada. Um cão com garras muito longas tem um quick muito longo também: se você tentar cortar até o comprimento ideal de uma vez, vai sangrar e machucar o doguinho.

A solução é corte frequente e pequeno. Aparar 1-2mm por semana por algumas semanas retrai o quick gradualmente, sem trauma. Para a Mamãe de pet que nunca cortou garra em casa: pet shops e clínicas fazem por valores baixos — e a frequência importa mais do que a profundidade.

Uma vez por mês como regra? Para a maioria dos cães, não é suficiente. Cães que andam muito em asfalto desgastam naturalmente. Cães de apartamento, que andam só em superfícies macias, precisam de atenção a cada 2 ou 3 semanas.


Essa fofa criatura que vive com você não tem como te dizer que cada passo está sendo um pouco mais difícil do que deveria. Olha as garras dela hoje — provavelmente é hora de agir.

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Fernanda recomenda

A régua que uso no consultório: se as garras tocam o chão com o cão em pé, já passaram do ponto. Corte frequente e pouco (1-2mm por semana) retrai o quick gradualmente — muito melhor do que cortes raros e profundos que sangram e traumatizam o cão para sempre.

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Foto de Fernanda Rocha

Escrito por

Fernanda Rocha

Médica Veterinária & Fundadora

Médica veterinária pela UFMG e tutora de dois catioros impossíveis. Criou o CatioroCurioso em 2021 para provar que ciência e amor pelos doguinhos andam juntos.

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