Pulgas somem no inverno: o mito que faz muita casa perder o controle da infestação
Em resumo
Você parou o antipulga porque fez frio? Esse erro faz as pulgas se multiplicarem dentro de casa exatamente quando você acha que está tudo calmo.
Aviso importante
Este conteúdo é informativo e não substitui consulta com médico veterinário. Se o seu cão apresenta dor, febre, intoxicação, vômitos persistentes, apatia ou precisa de medicação, procure atendimento veterinário.
Quando a temperatura cai, muita gente guarda o antipulga na gaveta. Afinal, pulga é coisa de verão, né? Amiga, essa crença custa caro. O inverno dentro de casa é um ambiente perfeito para as pulgas continuarem o ciclo completo — e quando você descobre, já tem o apartamento tomado.
O que as pulgas realmente precisam para sobreviver
Pulgas gostam de calor, é verdade. Mas elas não morrem só porque esfriou lá fora. A temperatura interna da maioria das casas brasileiras no inverno fica entre 18 e 24 graus — intervalo ideal para o desenvolvimento do ciclo da pulga. Com aquecedor, lareira ou ar-condicionado no modo quente, o ambiente fica ainda mais convidativo.
Pesquisadores da Universidade de Sydney, na Austrália, estudaram a biologia de Ctenocephalides felis, a pulga mais comum em cães e gatos, e confirmaram que o ciclo de vida se mantém ativo entre 18 e 30 graus com umidade acima de 50%. Em outras palavras: o sofá da sala no inverno é uma incubadora.
O que o frio realmente faz é reduzir a atividade das pulgas adultas no ambiente externo. Mas as larvas, pupas e ovos dentro de casa continuam se desenvolvendo tranquilamente.
Por que parar o antipulga no inverno é erro grave
O antipulga não mata só o bichinho que você vê pulando. Ele quebra o ciclo. Quando você para no inverno, as pulgas que estavam em estágio inicial no tapete, no sofá e nas frestas do piso têm tempo de virar adultas, saltar no cão e começar a reprodução.
Em uma casa com calefação, uma única pulga fêmea pode colocar de 20 a 40 ovos por dia. Faz as contas: uma semana de descuido vira centenas de ovos no ambiente. E aí, quando chega o verão, você acha que a infestação veio do quintal. Na verdade, ela nasceu no inverno, dentro de casa.
Os sinais de que as pulgas já estão no controle
Muita gente só percebe pulga quando vê o bichinho pulando. Mas os primeiros sinais são mais sutis:
Coceira intensa na base da cauda e nas costas — áreas preferidas das pulgas.
Pelos pretos ou marrom-escuros no pelo branco — são fezes de pulga, ou seja, sangue digerido.
Pele irritada ou pequenas crostas — especialmente em cães alérgicos à saliva de pulga.
Queda de pelo localizada — o cão se lambe e arranca pelo por causa da coceira.
A Mel, minha golden, tem alergia à pulga. Uma única picada já deixa ela coçando por dias. Por isso aqui em casa o antipulga não sai do calendário nem em julho. O Brigadeiro, de pelo curto, demora mais a mostrar, mas quando mostra já está disseminado.
O protocolo de inverno que funciona
Antipulga contínuo o ano todo — escolha o produto adequado com o veterinário e mantenha a periodicidade correta, mesmo quando o cão sai menos.
Aspire com frequência — tapetes, sofás, frestas de pisos e cantos onde o cão se deita. A metade do ciclo das pulgas acontece no ambiente, não no animal.
Lave a cama do cão — a cada duas semanas, em água quente, se possível. Ovos e larvas se acumulam ali.
Cuide do quintal também — mesmo no frio, áreas ensolaradas do jardim podem abrigar pulgas. Limpe folhas acumuladas e mantenha a grama aparada.
Trate todos os animais da casa — se você tem cão e gato, parar em um só não adianta. Pulgas não escolhem hospedeiro.
Quando a coceira não é só pulga
Se o cão continua coçando mesmo com antipulga em dia, pode ser alergia alimentar, dermatite atópica, sarna ou infecção bacteriana. Nesse caso, o veterinário é indispensável. Não aumente a dose do antipulga por conta própria.
Pulga não tira férias no inverno. Ela só muda de endereço. Se você quer que o verão não seja uma guerra, mantenha o controle no frio. A prevenção de julho é o que evita a infestação de dezembro.
Leia também: Sarna em cachorro: tratamento correto, remédio certo e se passa para humanos
Você também vai gostar

Vermifugação: 3 mitos que colocam seu catioro em risco (e o calendário certo)
A maioria dos tutores vermifuga errado — com produto errado, na frequência errada, baseada em crenças que a ciência derrubou há anos. Seu cão paga o preço.
7 de jun. de 2026

Julho seco: como proteger focinho, pele e patas do cachorro dentro de casa
O ar seco de julho resseca mais do que você imagina. Focinho rachado, coceira e patas que arranham: a veterinária explica o que fazer sem sair de casa.
24 de jul. de 2026

Cachorro bebe menos água no frio: quando isso é normal e quando vira alerta
No inverno, muitos cães diminuem a ingestão de água. Entenda a diferença entre termorregulação saudável e o primeiro sinal de problema.
25 de jul. de 2026
Fernanda recomenda
Mantenha o antipulga contínuo o ano todo, mesmo quando o cão sai menos. O ambiente interno aquecido pelo inverno mantém o ciclo das pulgas ativo, e a pausa no controle é a porta de entrada para uma infestação.
Compartilha com os amigos! 🐾
Escrito por
Fernanda RochaMédica Veterinária & Fundadora
Médica veterinária pela UFMG e tutora de dois catioros impossíveis. Criou o CatioroCurioso em 2021 para provar que ciência e amor pelos doguinhos andam juntos.
Ver perfil completo →