A doença do carrapato pode ficar quieta enquanto as plaquetas caem
Em resumo
Febre, apatia e falta de apetite podem ser só o começo. A erliquiose altera células do sangue e, em alguns cães, sangramentos e sinais mais graves aparecem depois.
Aviso importante
Este conteúdo é informativo e não substitui consulta com médico veterinário. Se o seu cão apresenta dor, febre, intoxicação, vômitos persistentes, apatia ou precisa de medicação, procure atendimento veterinário.
O carrapato cai.
A marca da picada some.
E o tutor acredita que o problema foi embora junto.
Na erliquiose, não é tão simples.
A doença é causada por bactérias do gênero Ehrlichia, transmitidas por carrapatos. Em cães, Ehrlichia canis é uma das espécies mais conhecidas.
Depois da infecção, o problema passa a acontecer dentro do organismo.
Os primeiros sinais são pouco específicos
Febre.
Apatia.
Falta de apetite.
Linfonodos aumentados.
Às vezes dor ou dificuldade para andar.
Esses sinais cabem em muitas doenças. Por isso o histórico de carrapatos importa tanto.
Se o cão parece quente, quieto ou sem vontade de comer, veja também como reconhecer febre em cachorro.
O sangue começa a dar pistas
A erliquiose pode provocar alterações hematológicas, incluindo redução de plaquetas.
Plaquetas participam da coagulação.
Quando estão muito baixas, podem surgir:
- pequenos pontos de sangramento na pele;
- sangramento nasal;
- hematomas;
- sangue em secreções;
- mucosas pálidas.
Nem todo cachorro chega com hemorragia visível.
Às vezes o hemograma mostra o problema antes do olho.
Existe fase “silenciosa”?
Alguns cães podem passar por período subclínico, sem sinais marcantes.
Isso ajuda a entender por que a história “ele teve carrapato meses atrás” ainda pode ser relevante.
Em casos crônicos, alterações sanguíneas e sinais sistêmicos podem se tornar importantes.
Como diagnosticar
O veterinário combina histórico, exame clínico e testes.
Hemograma é fundamental, mas não identifica sozinho a causa.
Sorologia e PCR podem entrar na investigação, dependendo da fase e do caso.
O MSD Veterinary Manual destaca a doxiciclina como tratamento de escolha, mas isso não significa que todo cão com carrapato deva receber antibiótico preventivamente.
Antibiótico tem indicação, duração e acompanhamento.
Carrapato não transmite só uma doença
Outro motivo para não tratar no escuro é a possibilidade de coinfecções.
Carrapatos podem transmitir diferentes agentes, e sinais podem se sobrepor.
O diagnóstico direciona melhor o tratamento e o acompanhamento de plaquetas, anemia e outros parâmetros.
Prevenção não termina quando você tira o carrapato
Retirar o parasita visível é uma parte.
Controle ambiental e produto preventivo adequado completam a estratégia.
Converse com o veterinário sobre opção compatível com peso, idade, ambiente e rotina.
E não improvise antiparasitários de grande animal ou drogas potentes. Nosso artigo sobre ivermectina em cachorro explica por que “dose por peso” não resolve a questão.
Se o cão também apresenta sangramento intestinal, veja o que a cor do sangue nas fezes pode indicar.
Retirar o carrapato visível é importante, mas não encerra a história. Se surgirem febre, apatia, palidez ou sangramento depois da exposição, o que importa é investigar o cão — não procurar outro carrapato para justificar os sintomas.
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Fontes e referências
- Ehrlichiosis in Dogs — MSD Veterinary Manual · Acessado em 2026-08-31
Fernanda recomenda
Carrapato encontrado no corpo é informação clínica. Se o cão ficar febril, abatido, com gengiva pálida ou apresentar sangramento, conte ao veterinário quando o parasita foi visto e quais produtos de controle foram usados.
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Escrito por
Fernanda RochaMédica Veterinária & Fundadora
Médica veterinária pela UFMG e tutora de dois catioros impossíveis. Criou o CatioroCurioso em 2021 para provar que ciência e amor pelos doguinhos andam juntos.
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