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Cachorro que ronca: adorável ou sinal de alerta? A veterinária explica quando preocupar

Cachorro que ronca: adorável ou sinal de alerta? A veterinária explica quando preocupar

Fernanda Rocha
Fernanda Rocha
· 3 min de leitura

Em resumo

O ronco do seu cão pode ser completamente normal — ou pode ser uma emergência respiratória disfarçada de fofura. Saiba exatamente quando cada um é cada um.

O ronco do doguinho parece fofo no vídeo para o Instagram. No consultório, o mesmo ronco conta uma história completamente diferente.

Deixa eu ser direta: a maioria dos catioros que ronca ocasionalmente está bem. Mas há sinais específicos que transformam “adorável” em “emergência respiratória sendo ignorada”. E muitos papais e mamães de pet não sabem distinguir os dois.

Por que cães roncam

Roncar é o som produzido quando o tecido mole das vias aéreas superiores vibra durante a respiração. Em cães, as causas variam:

Posição de sono: assim como humanos, catioros dormindo de barriga para cima ou com o pescoço em ângulo inadequado podem roncar sem nenhum problema anatômico. Muda a posição, some o ronco.

Sobrepeso: o excesso de gordura na região do pescoço e faringe estreita as vias aéreas. Um estudo da Universidade de Edimburgo com 690 cães identificou a obesidade como o fator de risco modificável mais comum para problemas respiratórios durante o sono em cães adultos.

Braquicefalia: aqui a história muda de tom.

O problema real dos focinhudos curtinhos

Bulldogs, Pugs, Boston Terriers, Shih Tzus — qualquer catioro com focinho curto nasce com uma arquitetura anatômica que o ser humano selecionou por estética, não por funcionalidade. Narinas estreitas, palato mole alongado, traqueia subdesenvolvida. É a Síndrome Respiratória Obstrutiva Braquicefálica, ou BOAS.

Um levantamento do Royal Veterinary College, no Reino Unido, com mais de 700 Bulldogs Franceses mostrou que mais de 50% apresentavam comprometimento respiratório clinicamente significativo — e a maioria dos donos achava que o barulho era “normal da raça”.

Normal da raça não significa saudável. Significa adaptado a uma condição que, sem manejo, piora com a idade, com o calor e com o excesso de peso.

Eu atendo Bulldogs todo verão em Belo Horizonte. Muitos chegam em crise porque o dono achou que o “ronco de sempre” não era motivo de consulta. Era.

Quando o ronco vira sinal de alerta

O ronco isolado, sem outros sintomas, geralmente é benigno. O problema aparece quando ele vem acompanhado de:

  • Esforço visível para respirar: costelas aparecem, barriga trabalha junto com o peito
  • Gengivas ou língua azuladas ou pálidas: oxigenação comprometida — emergência imediata
  • Intolerância ao exercício: o doguinho para após poucos minutos, tosse, engasga
  • Apneia do sono: o ronco para de repente e o cão acorda engasgado — o mesmo padrão humano, com as mesmas consequências para saúde cardiovascular a longo prazo
  • Piora intensa no calor: braquicéfalos dissipam calor quase exclusivamente pela respiração. Calor + BOAS é uma combinação perigosa

Se o seu catioro apresenta mais de dois desses sinais, não é questão de “ver como evolui”. É questão de marcar consulta agora.

O ronco que você pode ignorar

Cão adulto, raça não-braquicefálica, ronco aparecendo de vez em quando — especialmente dormindo em posição estranha? Vire o doguinho delicadamente e veja se some. Na maioria das vezes, some.

Alergia ambiental também pode causar ronco por congestão nasal temporária, exatamente como acontece com humanos. Se apareceu do nada em época de floração ou após mudança de ambiente, vale investigar a origem do problema, não só tratar o sintoma.

A fofura do ronco pode ser completamente real. Mas é responsabilidade de quem ama o catioro saber a diferença.

Leia também: O que a posição de dormir do seu cão revela sobre a personalidade dele

Fernanda recomenda

Se o seu cão ronca E apresenta qualquer destes sinais — esforço visível para respirar, gengivas azuladas, intolerância ao exercício — procure um veterinário antes que o calor piore. Braquicéfalos precisam de avaliação anual das vias aéreas, mesmo sem sintomas evidentes.

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Foto de Fernanda Rocha

Escrito por

Fernanda Rocha

Médica Veterinária & Fundadora

Médica veterinária pela UFMG e tutora de dois catioros impossíveis. Criou o CatioroCurioso em 2021 para provar que ciência e amor pelos doguinhos andam juntos.

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